Balanço do 4º Workshop GEICT

Ocorreu no dia 08 de Junho o Workshop GEICT 2017. Em sua quarta edição, o evento contou com seis blocos temáticos e doze apresentações de trabalhos. Ao todo, doze pesquisadores participaram das apresentações, intercalando comentários e reflexões em conjunto aos debatedores e apresentadores. Os resumos foram enviados anteriormente à realização do evento, permitindo a todos os presentes terem ciência da discussão, garantindo a participação e discussão; a organização foi realizada pelo Prof. Marko Monteiro, pelo pesquisador pós-doutorando Gil Vicente e pela pesquisadora pós-doutoranda Daniela Manica. As fotos são do pesquisador Douglas Leite.

Cada um dos seis blocos temáticos foram organizados de acordo com alguma familiaridade e proximidade dos temas abordados que compuseram os blocos: Corpo, gênero, ciborgues e tecnociência; Corpo, tecnologia, eroticidades e discursos; ESCT, políticas públicas e judiciárias; Inovação Responsável, governança, ciência tecnologia; Mudanças climáticas, big data e sistemas monitoramento; e uma bloco especial de convidados com Saurabh Biswas da School of Sustainability da Arizona State University e Katie Ulrich do Department of Anthropology da Rice University. Seguindo e se diferenciando do formato desenvolvido nos anos anteriores, cada bloco teve um debatedor, porém, foram convidados debateras e debatedores externos ao GEICT, como a profª Carolina Cantarino da FCA-UNICAMP e o pesquisador Wagner Camargo, pós-doutorando em Antropologia na UFSCAR.

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Da esquerda para direita: Rodrigo Fernandes (NEPAM), Rodrigo Autrán (DPCT, Wagner Camargo(UFSCAR), Ana Camelo(FGV),  Sean McAllister (Arizona State Univ.), Saurabh Biswas (Arizona State Univ.), Felipe Mammoli(DPCT), Kaite Ulrich (Rice Univ.), Gil Vicente (DPCT), Luis Reyes-Galindo(DPCT), Lucca Vichr (DPCT), prof. Marko Monteiro(DPCT), Lorena Caminhas (IFCH), Douglas Leite (DPCT), Vinícius Wagner (CGI), Eduardo Spanó, Sarah Rossetti(IFCH), Daniela Manica(URFJ/DPCT)

1º Bloco: Corpo, gênero, ciborgues e tecnociência
Nesse bloco debatido pela prof. Carolina Cantarino da FCA- UNICAMP, foram discutidos como a tecnociência é um elemento dos corpos e suas possibilidades, e como o corpo é constituído dentro das instituições tradicionais de pesquisa, como o caso da pesquisa da Daniela, quanto fora das instituições científicas, como no caso da DIYBio.

Sobre a manufatura de ciborgues: uma pequena analítica antropológica da BIYbio
Gil Vicente (pós-doutorando no DPCT/UNICAMP)
O pesquisador Gil Vicente apresentou uma reflexão sobre os dilemas éticos e políticos da prática do Do-it-yourself Biology e como sua característica de “laboratório de garagem” – espaços desvinculados das instituições que tradicionalmente realizam pesquisas sobre próteses, modificações corporais, fusões e fissões humano-maquina – colocam em questão as práticas da ciência e seus mecanismos éticos. De forma geral, o autor coloca a questão sobre como as práticas de construção e fragmentação dos corpos passam hoje por espaços que não são instituições no sentido tradicional, que corpos são esses que estão sendo produzidos nas fronteiras éticas e políticas da DIYBio e que potências eles – e as pesquisas correlatas – trazem.

CeSAM, as células do sangue menstrual: gênero, tecnociência e terapia celular
Daniela Manica(Dept. de antropologia/UFRJ e pós-doutoranda no DPCT/UNICAMP)
O trabalho apresentado pela pesquisadora Daniela Manica envolve o estudo sobre o uso de sangue menstrual para obtenção de células-tronco mesenquimais no Laboratório de Cardiologia Celular e Molecular do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ. A partir de uma perspectiva feminista, a pesquisadora apresentou como os discursos e práticas da tecnociência se conjugam com questões de gênero nessas práticas específicas de bioengenharia, que tentam mostrar que as células do sangue menstrual são ótimas candidatas, talvez as melhores, para a pesquisa e desenvolvimento de células tronco mesenquimais.

2º Bloco: Corpo, tecnologia, eroticidades e discursos
Neste bloco, debatido pelo pós-doutorando Wagner Camargo da UFSCAR, foram discutidas as diferentes perspectivas sobre a sexualidade e sua relação com as mediações técnicas entre os corpos, sejam por equipamentos como as câmeras e softwares das camgirls, como os dispositivos e performances do sadomasoquismo erótico.

Ensaio sobre a inter-relação entre tecnologia e experiência à luz da atividade de camgirls
Lorena R. P. Caminhas (Doutoranda em Ciências Sociais/UNICAMP)
Em sua apresentação, a doutoranda Lorena Caminhas apresentou as diferentes compreensões sobre a relação tecnologia e experiência, de um lado as camgirls que veem na distância física proporcionada pelos dispositivos tecnológicos-comunicativos a impossibilidade de haver sexo, pois este precisa de uma presença física; e do outro lado, os sites que veem na interação em tempo real proporcionado pelos dispositivos uma possibilidade de copresença muito próximo ao sexo. De forma geral, essas diferentes compreensões colocam em questão a própria compreensão sobre o que é sexo, especialmente em um mundo repleto de dispositivos comunicacionais que tem como promessa a interação e a presença para além da distância física dos corpos.

Sadomasoquismo erótico no Brasil (1980-2014): redes, discursos médico-científicos, circulação de categorias e disputas de sentidos
Sarah Rossetti Machado (Doutoranda em Ciências sociais/ UNICAMP)
Em seu trabalho, Sarah apresenta como as comunidades brasileiras de BDSM (bondage, dominação, disciplina, submissão, sadismo e masoquismo) se articularam pela despatologização do sadomasoquismo. Em sua apresentação, a pesquisadora mostra as diversas estratégias executadas pelo movimento em confrontar, por meios de diversas mídias, a concepções normativas das ciências médicas sobre o que é saudável, aceitável e patológico em relação aos corpos, desejos e sexualidades. Sarah observa e as estratégias da comunidade no brasil tem focado principalmente na construção de comunidades de praticantes e na mudança da mentalidade, ora disputando sentidos com as ciências médicas, ora se apropriando de seus discursos e práticas.

3º Bloco: Sessão especial de apresentações convidadas
Nesse bloco, foram apresentados trabalhos da pesquisadora convidada Katie Ulrich e do pesquisador convidado Saurabh Biswas.

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A pesquisadora Katie Ulrich, da Rice University

The places of Sugar in Modern Futures: Brazilian Sugarcane Biotechnologies
Katie Ulrich (Department of Anthropology, Rice University).
Katie Ulrich, apresentou algumas reflexões e ideia iniciais sobre sua pesquisa de doutorado, que tem como ideia uma etnografia multiespécie da cana de açúcar no Brasil. Na apresentação, a pesquisadora refletiu sobre sua experiência no Brasil e a tarefa desafiadora que é deixar que as experiências de campo guiem os problemas de pesquisa, reconhecendo, nas interações com os diversos informantes, os temas e assuntos que lhes são mais importantes. Katie também destacou a importância de deixar mais ampla as pesquisas multiespécies, incorporando na análise objetos e substratos cada vez mais diversos, como reagentes, moléculas e biomateriais.

Rio claro sustentável 2020: value-based transformation design for a rural community
Saurabh Biswas (School of Sustainabilit, Arizona State University)
O pesquisador Saurabh Biswas apresentou sua experiência com o projeto Rio Claro Sustentável 2020, uma ação social desenvolvida na vila de Rio Claro/MG com o objetivo de repensar o uso e produção de energia elétrica. Saurabh destacou a concepção de pesquisa-intervenção, onde a atividade de pesquisa está diretamente ligada com a mobilização da comunidade entorno de transformações sociais, como a proposta do projeto, de produção de energia sustentável.

4º Bloco: Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia (ESCT), políticas públicas e judiciárias
O 4º Bloco teve como comentador o Pós doutorando Gil Vicente Nagai Lourenção [DPCT-UNICAMP] e se desenvolveu tendo por base os Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia (ESCT), políticas públicas e judiciárias, procurando relacionar tais estudos e análises possíveis a partir dos problemas levantados pelos autores participantes.

Análise preliminar sobre negócios sociais a partir da sociologia econômica e dos ESCT: um estudo sobre o programa vivenda.
Lucca Vichr Lopes (Doutorando em Política Científica e Tecnológica, DPCT/UNICAMP)
Em sua pesquisa, Lucca Vichr, discute a atividade dos empreendimentos sociais e como essas formas organizacionais operam na fronteira do capitalismo, reestruturando a todo tempo categorias fundamentais como lucro e o próprio social. Com foco no caso do Programa Vivenda, um empreendimento social para reformas habitacionais em favelas, Lucca observa as diferentes formas que a categoria “social” é mobilizada, a depender dos diferentes atores que estão envolvidos nas atividades. Pautado na sociologia econômica, Lucca aponta que esse tipo de empreendimento performa uma prática bastante específica de troca econômica, não priorizando a maximização dos lucros e sim performando o “social, recolocando a todo tempo os limites e fronteiras do capitalismo.

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O pesquisador Lucca Vichr (DPCT/UNICAMP)

Decisões judiciais baseadas na expertise ambiental: validação e regulação da ciência na perspectiva judiciária brasileira
Rodrigo Fernandes (Doutorando em Ambiente e Sociedade/UNICAMP)
Partindo de uma comparação entre o sistema judicial americano e brasileiro, Rodrigo propôs uma reflexão sobre o papel do expert na orientação de decisões que fomentam políticas públicas sobre questões ambientais no brasil. O que Rodrigo observa é que, tendo em vista as mudanças na ciência no século XX e na judicialização das decisões políticas, é fundamental compreender o modelo de conhecimento que a legislação pressupõe para processos e análise de provas periciais em controvérsias judiciais de casos ambientais.

5º Bloco: Inovação Responsável, governança e a ciência e tecnologia
No 5º Bloco foi discutido pela pós doutoranda Daniela Manica [DPCT-UNICAMP], e buscou relacionar os estudos da Inovação Responsável, governança, e a ciência e tecnologia.

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A pesquisadora Daniela Manica (UFRJ/DPCT) debate os trabalhos do bloco.

Water supply Governance from a responsible innovation perspective
Douglas Leite (Mestrando em Política Científica e Tecnológica, DPCT/UNICAMP)
Em sua apresentação, Douglas Leite, desenvolveu uma análise da crise hídrica da Região Metropolitana de São Paulo entre 2014 e 2015, tendo como foco a falta de coordenação entre diversos os atores envolvidos na crise. Partindo desse caso, e pautado na metodologia de Inovação Responsável (IR), Douglas propôs um framework alternativo para a governança do sistema de abastecimento de água, que tem como objetivo a participação mais aprofundada e qualificada dos atores.

(Ir)responsabilidades em tempos de crise: o surto Zika e a governança da C&T
Marko Monteiro (prof. DPCT/UNICAMP)
Prof. Marko apresentou um artigo que discute o surto do vírus Zika no Brasil e as respostas imediatas nas políticas de saúde e de pesquisa. Tendo como ponto central as particularidades dos momentos de crise de saúde, o autor propôs uma reflexão sobre como é percebida o papel da inovação tecnológica nesses momentos e como eles propiciam irresponsabilidades nos processos de tomada de decisão.

6º Bloco: Mudanças climáticas, big data, sistemas de monitoramento
Nesse bloco, debatido pelo pesquisador pós-doutorando Luis Reyes-Galindo, foram apresentados projetos relacionados às mudanças climáticas, especialmente suas questões antropológicas e o papel dos grandes experimentos na Amazônia nas discussões globais sobre as mudanças climáticas.

Digitalizando o mundo como se não houvesse amanhã: dados digitais e suas práticas no contexto das mudanças climáticas
Felipe Mammoli (Doutorando em Política Científica e Tecnológica, DPCT/UNICAMP)
Felipe apresentou uma reflexão inicial sobre como a práticas de produção de dados pelos grandes experimentos na Amazônia podem ser relacionadas com as discussões sobre a descentralização do ser humano no campo dos estudos sociais da ciência. A ideia foi pensar as implicações conceituais e analíticas para os estudos sobre as mudanças climáticas quando a vigilância e o monitoramento não têm mais como objeto privilegiado apenas as ações e comportamentos dos seres humanos.

Experimento local con implicaciones globales: análisis antropolítica del proyecto Amazon-FACE
Rodrigo Autrán (Doutorando em Política Científica e Tecnológica, DPCT/UNICAMP)
Rodrigo apresentou seu projeto de doutorado, que consiste em uma análise antropológica do experimento AmazonFACE, um grande experimento na Amazônia sobre as mudanças climáticas. Como preocupações centrais do projeto, Rodrigo enfatizou as relações de produção de conhecimento do projeto e como eles se relacionam com uma agenda global das discussões sobre as mudanças climáticas.

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Da esquerda para a direita: prof. Daniela Manica (UFRJ/DPCT), prof. Marko Monteiro(DPCT), Rodrigo Fernandes(DPCT).

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